ENTREVISTAS


ENTREVISTAS QUE CONCEDI A ALGUNS MEIOS DE COMUNICAÇÃO.


Programa Futebol Alternativo (17/04/2011)

https://www.youtube.com/watch?v=OQhB_tBVNjQ

http://vimeo.com/32054658

http://www.youtube.com/watch?v=MnPQXUOXJeg

http://www.youtube.com/watch?v=gFq81nGtHC4


Programa 100 Anos da Radio do Corinthians (http://www.radiocoringao.com.br

30/09/2011: Apresentado por Filipe Martins Gonçalves. Convidado: Maurício Sabará.

http://dl.dropbox.com/u/43732617/Programas/100anos70_20110930_POD.mp3


Radio Piratininga (23/12/2011): http://www.youtube.com/watch?v=ozrNtntAo8M


Gazeta Feminina (http://www.gazetafeminina.com)): Clicar no banner no lado direito. Uma página com uma revista será aberta; é só clicar no canto inferior direito para passar de página. Ao chegar no índice é possível avançar direto para a matéria, basta clicar na foto do logo da Copa das Confederações (está numa seção da revista chamada “Algo a mais”). Página 54 a 62.

http://www.gazetafeminina.com/#!edio-32/c143z


Entrevista concedida ao estudante de jornalismo Diego Henrique de Carvalho sobre o futebol dos anos 50:

https://docs.google.com/file/d/0Bzjmts-teFxOVkdOUkJrLUtHamM/edit?pli=1


Programa Kodama na Rede da allTV (03/04/2014)

http://www.youtube.com/watch?v=qSTJRUmTU3M


17/09/2015: Site Todo Dia comenta sobre o lançamento do livro "O Generalíssimo Amilcar Barbuy". 

http://portal.tododia.uol.com.br/_conteudo/2015/09/esportes/89622-artilheiros-brotando.php


22/09/2015: Programa Folhas Secas da Central 3 para falar sobre o meu primeiro livro, "O Generalíssimo Amilcar Barbuy". 

http://www.central3.com.br/folha-seca-82-amilcar-barbuy/


23/09/2015: Dica de leitura no site O Curioso do Futebol sobre o livro "O Generalíssimo Amilcar Barbuy". 

http://www.ocuriosodofutebol.com.br/2015/09/dica-de-leitura-o-generalissimo-amilcar.html


24/09/2015: Entrevista dada ao Sr. Quintal no programa Paixão Lusa da Rádio Trianon. 

https://dl.dropboxusercontent.com/u/43732617/Programas/PAIXAO%20LUSA%20-%2024-9-15.mp3


01/10/2015: Programa Timoneiros da Central 3 para falar sobre o meu primeiro livro, "O Generalíssimo Amilcar Barbuy". 

http://www.central3.com.br/timoneiros-30-barbuy/


04/11/2015: Programa Toda Noite (Rádio Globo) do Maercio Ramos (Morcegão).

http://radioglobo.globoradio.globo.com/toda-noite-sp/2015/11/04/MORCEGAO-MISTURA-CANTOR-EX-BBB-JORNALISTA-E-PESQUISADOR-DO-CORINTHIANS-NO-TODA-NOITE-SP.htm


06/11/2015: Programa Mais Corinthians com a apresentadora Leticia Beppler da TV Esporte +

https://www.youtube.com/watch?v=otj5x7SS68o


11/12/2015: Entrevista dada ao programa Timão Universitário.

https://www.youtube.com/watch?v=4Fj_jY1uq_s


21/12/2015: Segunda entrevistada dada ao programa Timão Universitário. 

https://www.youtube.com/watch?v=3T00WtnjRe0


11/05/2016: Apresentação de Tênis de Mesa no Sindi Clube.

http://blog.sindiclubesp.com.br/atletas-ensinam-pratica-a-jornalistas-em-curso-sobre-tenis-de-mesa/


07/06/2016: Entrevista para a Sportv, comentando sobre o primeiro êxodo dos jogadores brasileiros para o exterior em 1931.

http://globotv.globo.com/sportv/sportvnews/v/exodo-serie-vai-contar-a-historia-de-atletas-que-deixaram-o-brasil-para-jogar-futebol/5075949/


20/05/2016: Entrevista com o ex-goleiro Aldo Malagoli.

https://www.youtube.com/watch?v=oUGohdXy6V0&feature=youtu.be


Arena Corinthians: https://www.youtube.com/watch?v=yCLPEW8Zzwg

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21/11/2015: 50 respostas sobre o Corinthians que eu concedi para o jornalista Walter Falceta.

A BARBEARIA BATTAGLIA ENTREVISTA MAURÍCIO SABARÁ

Investigador incansável do futebol corinthiano, memória prodigiosa, autor do livro "O Generalíssimo Amilcar Barbuy", Mauricio Sabará é o entrevistado da vez.

Em razão do extenso e valioso conteúdo apurado, decidimos dividir a transcrição da conversa em duas partes. Segue aqui a primeira.

Informe-se, aprenda, eduque-se!


ENTREVISTA COM MAURÍCIO SABARÁ, O SABE-TUDO DO FUTEBOL CORINTHIANO, REALIZADA PELA CO-IRMÃ BARBEARIA BATTAGLIA


1) Onde e quando nasceu o Maurício?

Maurício Sabará - Nasci em São Paulo no dia 12 de janeiro de 1976. Meu nascimento foi na Maternidade Pro Matre. Morei no Bairro do Limão até os cinco anos, quando minha família se mudou para a Freguesia do Ó.

Não vim ao mundo em um ano de título, mas em compensação um grande momento aconteceria no dia 05 de dezembro, com a célebre invasão dos 70 mil torcedores corinthianos ao Maracanã, quando vencemos o Fluminense nos pênaltis, nos levando para inédita decisão de um Campeonato Brasileiro, conquistando um honroso vice. 


2) É um descendente de poloneses?

MS - Meu saudoso avô paterno, Sr. Fritz Markiewicz, era alemão, nascido em Breslau, capital do Estado da Silésia. Atualmente a cidade pertence à Polônia, sendo conhecida pelo nome Wroclaw.

Sei que a sua origem era polonesa, sendo destruída pelos mongóis no Século XIII e reconstruída pelos alemães. Também sei que chegou a pertencer ao Império Austro-Húngaro, passando depois para a Prússia de Frederico II, O Grande, no século XVII.

Muitos me conhecem como Maurício Sabará, mas meu último sobrenome é Markiewicz, que acredito ser de origem polonesa pelo o que citei. Certa vez, um médico o traduziu pra mim, dizendo que significa Filho (Cz) de Marcos (Markie).

Minha avó paterna, Jenny Edith, que não conheci, nasceu em Chemnitz, na Saxônia, Estado da Alemanha.


3) Seu pai já é um grande corinthiano, correto?. De onde vem a paixão dele pelo Timão?

MS - Meu pai é corinthiano até demais. Se um dia eu contar suas histórias, precisaria de muitas páginas.

Claro que ele foi influenciado pelo pai, mas como nasceu em 05 de outubro de 1940, começou acompanhando um período de seca do Campeonato Paulista.

Na época o Leônidas estava jogando muito no rival São Paulo. Mas nos anos 50 tudo mudou. Viu aquele histórico time em ação, admirando muitos dos jogadores da equipe, especialmente o grande Luizinho, seu maior ídolo.

Sempre foi um torcedor inflamante, tendo recebido muitos elogios do grande chefe da Torcida Uniformizada do Corinthians (TUC), o Tantan.

Ele é sócio do clube desde 1951, mas é remido a partir de 1961, por ter contribuído com dinheiro para a inauguração dos refletores da Fazendinha.

Na década de 60, esteve também várias vezes na torcida, sem nunca perder o entusiasmo, mesmo em um período duro pela falta de títulos importantes no futebol. Eram compensados no basquete, esporte que ele também aprecia muito.


4) Com quantos anos de idade o Maurício começou a acompanhar o Corinthians? Qual foi sua estreia no estádio?

MS - Minhas primeiras recordações são da conquista do título paulista de 1979 já em fevereiro de 1980, vendo o meu pai comemorando.

Não sócio do Corinthians, mas freqüento o clube desde 1981, quando tinha cinco anos. Sempre entrei junto com o meu pai. Conheci o Teleco quando ele cuidava dos troféus.

Mas foi a partir da Copa do Mundo de 1982, um grande evento, que comecei a ganhar gosto pelo futebol. Tinha dos meus seis para sete anos e era o tempo daquela inesquecível Seleção Brasileira.

Depois acompanhei pela televisão o memorável time da Democracia Corinthiana, que terminou o ano com chave de ouro, sagrando-se campeão paulista.

Minha estreia no estádio foi no Canindé, no Brasileirão de 1983. E não foi um batizo qualquer, pois o Corinthians aplicou a maior goleada da história da competição, enfiando 10 a 1 no Tiradentes de Piauí. Pude ver ao vivo a classe do Doutor Sócrates, a precisão de Zenon, a raça de Biro-Biro, os golaços de Ataliba e Paulo Egídio e o mais belo gol de bicicleta que já vi, do lateral-esquerdo Wladimir.

Na goleada, quem fez o primeiro gol do time piauiense (e primeiro da partida) foi um jogador conhecido por Sabará. Ou seja, tudo começou com um “gol de Sabará”. Como vemos, não foi uma estreia qualquer.

A título de curiosidade, o segundo jogo que vi em um estádio aconteceu em um estádio que nunca mais pisei. Foi no Parque Antárctica, quando o Corinthians foi derrotado pelo Taubaté por 2 a 1 no Campeonato Paulista de 1983, com Casagrande anotando de peixinho o nosso gol após um cruzamento de Zé Maria.

No colegial, quando eu comentava que vi o Super Zé, os colegas me chamavam de velho, mesmo eu dizendo que foi no final de carreira dele.


5) Em qual momento resolveu estudar a fundo a história dos esquadrões do nosso Timão? De que forma começou esse estudo? Quais eram suas fontes?

MS - Sempre gostei de ouvir histórias, sobre qualquer tema. Meu avô, um tio falecido em 1984 e principalmente o meu pai sempre me contaram fatos fantásticos do futebol, não somente envolvendo o Corinthians.

Revistas e livros nunca faltaram em minha casa, especialmente aqueles sobre futebol e Corinthians.

E foi justamente nessas fontes que comecei, aos seis anos de idade, a treinar a minha leitura quando não estava na escola, já que antes, quando não sabia ler, pedia ao meu pai que me explicasse quem era cada jogador. Quando se começa a aprender desde pequeno, a memorização torna-se mais fácil.

 6) Você é daqueles que fazem anotações pessoais, com fichas de partidas?

MS - Tempos atrás, cheguei a fazer. Quanto aos jogos históricos, muita coisa já está na memória, não por decoreba, mas pela facilidade para fixar naturalmente a informação.

O fabuloso “Almanaque do Timão”, do jornalista Celso Unzelte, me ajudou a conhecer mais e justificar muito do que eu já conhecia.


7) Dos jogos que acompanhou, qual é o mais emocionante?

MS - Pergunta difícil, pois muitos têm significados bem diferentes. Nem todos que estão no meu coração são de títulos. Mas, se for pra escolher, opto pela primeira final que vi, a do Campeonato Paulista de 1982, e pelo título do Brasileirão de 1990.


8) Este é um título importante, pois estabelece oficialmente uma conquista de dimensão nacional. Mas há uma tendência, hoje, de se desmerecer o Corinthians do período anterior. Concorda?

MS - Sim. Passei toda a década de 80 lendo e ouvindo besteiras. Diziam que o Corinthians nunca conquistara o Brasil.


9) Mas seguem nessa linha. Ao falar do título de 2015, no Sportv, o jornalista André Rizek afirmou que o Corinthians, até 1990, era apenas um clube regional.

MS - Besteira. Na verdade, o Timão já conquistou o país, muito antes, de diferentes formas. Apenas não tinha sido vencedor do Campeonato Brasileiro.

O desconhecimento acerca da gloriosa história corinthiana é algo que me incomoda muito. Essa visão, infelizmente, não é propagada somente por adversários, mas também por alguns torcedores corinthianos, algo que me incomoda muito.


10) É casado, tem filhos? Pretende constituir uma família corinthiana?

MS - Fui noivo de uma mulher muito especial na minha vida, que inclusive faz aniversário no dia desta entrevista, 20 de novembro de 2015. Infelizmente não deu certo. Foi algo que me chateou demais e que me deixou marcas profundas carrego até hoje. Desculpe o desabafo. Não tenho filhos, mas claro, se os tivesse, pretenderia construir uma família corinthiana. 


11) Formou-se em qual área?

MS - Em Jornalismo. Realizei diversos trabalhos (remunerados e não remunerados) na área futebolística, com foco maior na memória.

Também executei serviços sobre outros esportes e já apresentei um programa de variedades na allTV, conhecido como Jornalismo e Cidadania. Meu forte sempre foi entrevistar.


12) O que significa o Corinthians em sua vida? O que aprendeu da cultura corinthianista que aplica em sua vida?

MS - O Corinthians e o corinthianismo são continuidades da nossa razão de ser. Fazem com que saibamos que nada pode ser conquistado de mão beijada.

Conduzem nosso caráter com dignidade. Fazem com que nos tornemos mais ligados nas causas sociais, o chamado Sinônimo de Massa.


13) Já jogou bola na vida? Em qual posição?

MS - Sim, joguei futebol. Nunca fui bom pra cabecear e finalizar, mas me destacava na marcação, precisão nos passes e era bom driblador.

Costumava atuar bem pelas laterais e também como volante. Na zaga, por ser deficiente no cabeceio, atuei pouco.


14) Neco ou Barbuy: quem foi melhor jogador?

MS - Neco foi um excelente jogador, grande craque da época, mas ficou mais conhecido pela sua fibra invencível, que tanto influenciou a tradição corinthiana de deuses da raça. Amilcar Barbuy, sobre quem escrevi com muito orgulho um livro, é o contrário. Era também dedicado, mas destacou-se mais por sua inigualável categoria. Já que a pergunta é sobre quem foi melhor jogador, meu voto é para o Amilcar.


15) Celso Unzelte afirma que o Corinthians tem enorme torcida não somente em razão de suas raízes populares e democráticas, mas também por compor, logo de cara, times vencedores. Que avaliação faz dessa visão histórica?

MS - Absolutamente correta a avaliação do meu amigo Celso Unzelte, que redigiu o prefácio do meu livro.

Muitas vezes, é preciso entender que sem conquistas time algum consegue se firmar entre os fortes. Com o Corinthians não foi diferente.

Desde os anos 10 já era forte. Dos clubes grandes paulistas, foi aquele que se sagrou campeão mais cedo, com quatro anos de existência.

Desconsidero o título paulista de 1931, conquistado pelo São Paulo, pois até hoje não há comprovação de que o da Floresta e o atual sejam oficialmente a mesma agremiação.

Até 1960, o Corinthians era o time mais vencedor do Brasil. A fila (22 anos de jejum sem ganhar o Campeonato Paulista) não ficou marcada apenas pelo sofrimento da sua fiel torcida.

O peso se deve também ao fato de que se tratava de um gigante do futebol, com muitos títulos conquistados, além de outros grandes feitos, regionais, nacionais e internacionais.


16) Além de Neco e Barbuy, quais outros jogadores foram importantes nos primórdios do alvinegro paulista?

MS - Destaco o half-direito (lateral-direito) Pollice, que era conhecido pelo apelido de Fôlego de Gato. O ponteiro direito Américo também foi figura de grande destaque. César Nunes, irmão de Neco, apresentou-se como outro grande esteio em nossa defesa.

Muitos jogadores tiveram boas performances em nossos primórdios, nos anos 10. Porém  ídolos mesmo são os dois citados, tanto é que o time da época era conhecido como o Corinthians de Amilcar e Neco.

Na década de 20 é que de fato surgiram pra valer novos ídolos.


17) Tatu era mesmo um grande jogador?

MS - Tatu foi o melhor meia-esquerda do futebol brasileiro na primeira metade da década de 20 e titular da Seleção Paulista e Brasileira.

Veio da cidade de Taubaté como ponteiro esquerdo. Tinha uma incrível habilidade para driblar por ter sido malabarista de circo.

Mas seu futebol não era voltado apenas para os dribles, tendo também muita força pra chutar, marcando gols decisivos.

O mais famoso foi anotado contra o Paulistano, na decisão do Campeonato Paulista de 1924, que nos deu o primeiro Tricampeonato. 


18) Gambarotta ou Gambinha: quem jogava mais?

MS - Alberto Gambarotta X Guido Gambarotta. Gambarotta foi o centroavante do primeiro Tricampeonato Paulista, em 1922/23/24. E Gambinha foi do segundo Tri, em 1928/29/30. Pergunta complicada!

Embora Gambinha tenha uma média de gols maior que a de Gambarotta, fico com o Alberto, que foi artilheiro do Paulistão de 1922 e que também jogou na Seleção Brasileira. Os dois foram excepcionais.


19) Por que tanto sucesso nos anos 20? Qual o segredo desses "tri" unfos?

MS - Os anos 10 foram de superação. Na década de 20 obtemos a comprovação. Creio que tudo derivou da experiência, algo que Amilcar e Neco souberam aproveitar no fortalecimento do elenco.

Cada um em seu estilo, provaram que era possível bater de frente com os rivais, especialmente o Paulistano, que era um adversário maior que o Palestra Itália, pelo menos até 1925.

A inauguração de um estádio em 1918 serviu para animar ainda mais os jogadores. No Tricampeonato Paulista de 1922/23/24, atuavam quatro jogadores que serviam a Seleção Brasileira (Amilcar só não figura em 1924).

E o mesmo aconteceu quando o presidente Ernesto Cassano comprou o terreno do Parque São Jorge, em 1926.

Com a Fazendinha sendo a nossa casa, o Esquadrão Mosqueteiro, uma das melhores equipes que montamos, conquistamos mais um Tri (1928/29/30).


20) Sofremos aquele êxodo de jogadores no início da década de 30. Qual foi o time que, realmente, resgatou nossa glória depois deste período difícil?

MS - Em 1934 havia indícios de uma volta por cima. No ano seguinte, botamos o Boca Juniors pra correr, no seu primeiro confronto contra o time argentino, no Parque São Jorge.

Ficamos todo o ano de 1936 sem perder ou empatar jogo algum. E em 1937, fomos pela primeira vez campeão paulista na Era do Profissionalismo. Época de Teleco, Brandão, Lopes e Jaú.


 21) Defina Rato em uma frase.

MS - Talento e alma corinthiana.


22) Teleco, o Rei da Virada, defina-o em duas frases.

MS - O centroavante dos centroavantes. Nosso maior homem-gol.


* Aguarde! Em breve, a Barbearia Battaglia publica a segunda parte da entrevista.


APRENDA! AQUI.

A mundialmente famosa Barbearia Battaglia tem a honra de publicar a segunda e penúltima parte da sensacional entrevista com o estudioso Maurício Sabará.

Trata-se de espetacular conhecedor dos esquadrões corinthianos, memória prodigiosa e colaborador valioso do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

Leia com atenção, porque as informações são fundamentais a todos aqueles que necessitam conhecer a história do SCCP e colecionar bons argumentos para os debates virtuais, familiares ou botequeiros.

Leia e permita crescer seu fascínio pelas glórias no nosso querido Sport Club Corinthians Paulista.



23) Jango, por que foi esquecido? E Brandão?

MS - Jango foi uma espécie de precursor de Idário na lateral-direita, pois era muito raçudo e notável por fazer parte de uma linha-média ao lado de José Augusto Brandão e Dino Pavão, dois jogadores de extrema categoria.

Infelizmente, ele e muitos outros jogadores daquele tempo foram realmente esquecidos. Cultuo muito o Corinthians dos anos 50, mas antes deste período também escrevemos na história belas páginas de triunfos, que merecem ser lidas e lembradas.

Brandão é titular do meu time de todos os tempos, pois foram mais de dez anos envergando a camisa corinthiana.

Herdou-a de Amilcar Barbuy, aliando a raça à tradição do centro-médio (atual volante) de classe. Foi portanto, para muitos, um ídolo perfeito na época. Era o nosso capitão e, ao lado de Lopes, o primeiro jogador corinthiano a atuar em uma Copa do Mundo, a de 1938.


24) Por que amargamos o jejum da década de 40?

MS - Difícil entender, caro Walter. Os dois rivais tinham ótimos times, mas o Corinthians não ficava atrás.

É até curioso o que vou citar, mas nos anos 40 o time corinthiano foi aquele que mais venceu a Taça Cidade de São Paulo (1942/43 e 1947/48). Era conhecida como “Taça Maldita”, pois geralmente quem a ganhava não conseguia ser campeão paulista.

Quem menos venceu o torneio (apenas uma vez) foi justamente o São Paulo, o time mais vezes ganhador do Campeonato Paulista na época.

Em compensação, na década de 40, ganhamos dois interestaduais (Quinela de Ouro de 1942 e o primeiro Rio-São Paulo em 1950).

O alvinegro escalou em sua zaga o Divino Mestre Domingos da Guia. Foi o time que mais teve artilheiros no Paulistão.

Importante lembrar que ganhou um Estadual (1941) e, em 1948, foi o único time brasileiro que venceu River Plate e Torino, as duas melhores equipes do mundo, ambas pelo placar de 2 a 1.

Não foram dez anos tão perdidos assim!


25) Conte como retomamos a dianteira paulista nos anos 50. Qual a importância de Pietrobom e dos garotos da Vila Maria Zélia?

MS - O Corinthians nos anos 50, por meio de seu presidente Alfredo Ignácio Trindade, soube apostar na sua base, mesclando essas promessas com alguns talentos experientes que já figuravam no time principal, como o ponteiro direito Cláudio e o centroavante Baltazar.

O resultado foi que se montou o time mais vencedor história corinthiana.

A equipe do Maria Zélia, muito bem comandada pelo argentino Dante Pietrobon, fez o mesmo que o Botafogo do Bom Retiro nos anos 10, alimentando os quadros inferiores do Corinthians.

Como a maioria dos jogadores daquele talentoso time varzeano eram corinthianos e da Zona Leste, chegaram ao Parque São Jorge já entendendo bem o espírito do clube.

Adaptaram-se nas campanhas que renderam os títulos conquistados pelos quadros infantis, juvenis e aspirantes dos anos 40.


26) Rafael e Mário: o que devemos saber desses dois?

MS - Rafael Chiarella foi um meia revelado pelo Corinthians que jogou dez anos no time principal, envergando sua inesquecível camisa 10. Estranhamente não é muito conhecido pelas novas gerações.

Teve árdua tarefa ao substituir o goleador Rodolfo Carbone. O ataque de 1954 perdeu a ofensividade que o havia caracterizado no Bicampeonato Paulista de 1951/52, mas ganhou mais qualidade técnica.

Rafael era um meia-esquerda muito elegante e de grande talento, que só não jogou pela Seleção Brasileira porque, em seu tempo, havia ótimos jogadores na mesma posição.

O ponteiro esquerdo Mário, xará do meu pai, é considerado por ele e muitos que o viram em ação, sejam corinthianos ou não, como o mais perfeito driblador que existiu.

Usava e abusava da sua inimitável habilidade pra driblar, dando-se ao luxo de, após passar por todos os marcadores, voltar com a bola para repetir o mesmo malabarismo.

Esse costume parecia em nada agradar o presidente Trindade, que resolveu sacá-lo por várias vezes do time. Verdade seja dita, a maioria dos gols anotados pela equipe dos 103 gols surgiu de seus passes açucarados.  

Foram dois grandes jogadores, de estilos diferentes, que deixaram saudades aos torcedores corinthianos que os viram em ação na inesquecível década de 50.

Muitas vezes há nomes mais conhecidos que são lembrados por diversas vezes pelo simbolismo e número de partidas que tiveram.

O Corinthians dos anos 50 teve em suas fileiras nomes, titulares e reservas, inesquecíveis. 

27) Quem era o principal jogador daquele esquadrão de 1954: Claudio, Luizinho ou Baltazar?

MS - Cada um deles era muito importante, tanto é que Os Três Mosqueteiros são homenageados em bustos no Parque São Jorge.

Cláudio era o nosso gerente, líder e capitão, altamente técnico, além de exímio cobrador de faltas, penalidades e escanteios. Centrava como ninguém, altamente técnico.

É até hoje o maior goleador do Corinthians, embora preferisse servir os companheiros.

Fez muitas partidas em longa permanência de treze anos em nossas fileiras, o que permitiu que alcançasse o recorde entre os artilheiros corinthianos, além de ser o responsável pelas cobranças de bolas paradas conforme já mencionei.

Luizinho era marcante de outra forma. Veio do Maria Zélia para as categorias de base do Corinthians. Por ser prata da casa, entendia bem a alma corinthiana. Driblador incorrigível, tornou-se querido de imediato da torcida, talvez sendo o único jogador que conseguia silenciar a Fiel quando dominava a bola pela primeira vez, para que todos vissem no que ia dar, pois se desse certo o primeiro drible (o que geralmente acontecia), o Pacaembu vinha abaixo, consciente que teria um grande espetáculo. Para a maioria dos corinthianos da sua geração, foi sem sombra de dúvidas o maior ídolo da época.

E o Cabecinha de Ouro, que teve até música em sua homenagem (Gol de Baltazar, de Alfredo Borba e interpretada por Elza Laranjeiras), foi o jogador corinthiano que mais freqüentou a Seleção Brasileira dos três.

Disputou duas Copas do Mundo (1950 e 1954).

Foi um goleador excepcional, fazendo lembrar o velho Teleco. No cabeceio, foi insuperável, daí o justo apelido.


28) Os 22 anos de jejum. Como avalia este período?

MS - Pela grandiosidade do Corinthians antes do jejum, foi sem dúvida um período de duríssima provação.

Não foram 2 anos sem ganhar uma competição que sempre fomos reis como o Campeonato Paulista, mas um período superior a duas décadas.

Gerações nasciam e cresciam sem ver o time campeão paulista, sem se esquecer do incômodo tabu contra o Santos.

Mas nossa torcida cresceu mais do que aquelas dos rivais. É um fenômeno que só poderia acontecer com a nação corinthiana. Pois para o fiel, o fascínio é sempre o mesmo. Ganhando ou perdendo, ele é sempre Corinthians!


29) Por que tantos "quase" nesse período? Chegamos perto do Robertão em 1967 e 1969. O que deu errado?

MS – Primeiramente, o trauma, a ansiedade. Depois, coloque-se na conta das arbitragens mal intencionadas.

Contra o Santos de Pelé, que realmente fazia boas apresentações, houve outros resultados contra ele em que fomos severamente prejudicados. O mesmo ocorreu em disputas com outros rivais.

Um presidente da Federação Paulista, que todos sabiam ser corinthiano, declarou que enquanto por lá estivesse, o Corinthians jamais seria campeão. Será que merecemos ficar tanto tempo na fila?


30) Essa história de tabu contra o Santos deve ser levada tão a sério? Afinal, só foi no Paulista.

MS - De fato, foram anos terríveis. Como o trauma de não ganhar o Campeonato Paulista era grande, claro que o tabu também foi demais, ainda mais por se manter na mesma competição. Quem estuda a fundo a história do futebol, sabe que tradicionalmente o Santos sempre foi o nosso freguês.

Jamais desmereceria o que alcançou quando teve Pelé em seu elenco. Agora, pergunto: o que era o Santos antes dele?

Tinham apenas três títulos estaduais, alguns grandes jogadores na equipe e certos triunfos internacionais. Comparar o Santos com o Corinthians, antes de 1958, sinceramente, classifico como covardia. E não podemos nos esquecer dos 11 a 0 que aplicamos nos santistas em 1920!


31) Rivellino foi injustiçado em 1974?

MS - Roberto Rivellino foi um gigante na história corinthiana pelo o que jogava. Mas em termos de títulos não tem muito que contar. Há diferentes visões sobre 1974.

Uns acham que ele foi injustiçado e outros dizem que não jogou nada quando mais precisávamos dele.

Não era nascido ainda. Então confesso não saber explicar a diferença entre as opiniões.

Se eu nascesse 20 anos antes, em 1956, teria acompanhado toda a sua passagem no Corinthians. Pergunto-me o que sentiria com o fracasso de 1974.

 Não logro atingir uma resposta. Poderia estar por demais decepcionado com sua performance na derrota, por tanta esperança de ver o meu herói se consagrar definitivamente. Poderia também atribuir o insucesso a outra fatores e considerá-lo inocente. Poderia, por um motivo ou outro, chatear-me demais com a saída do ídolo para o Fluminense.


32) Qual a importância de Brandão no título de 1977?

MS - Completa, pois retornou ao Parque São Jorge como se nunca tivesse saído de lá, com a moral pelo título de 1954, e por teve o elenco nas mãos. Teve duas passagens na década de 60, sem títulos importantes, mas o título do IV Centenário ainda lhe dava muita moral, por ser o último técnico campeão paulista.

Chegou a bater de frente com o presidente Vicente Matheus. Seus dramas pessoais por causa da doença do filho também mexeram com muitos dos jogadores. Declararam que tinham que ganhar o título para o Oswaldo Brandão.

E o fato de se dedicar muito ao Kardecismo fez de Brandão ainda mais humano, com as suas interpretações de sonhos levadas muito a sério. Antecipou a Basílio que seria ele o autor do gol do título.


33) O que faltou para o time da Democracia Corinthiana ganhar um Brasileiro?

MS - O time da Democracia Corinthiana, bicampeão paulista de 1982/83, merecia muito ser campeão brasileiro. Em 1982 foi muito bem, caindo em um grupo fortíssimo.

No ano seguinte, aplicamos uma espetacular goleada de 4 a 1 em cima do Flamengo, mas o Guarani perdeu em Campinas para o Goiás e não avançamos.

Em 1984, tinha tudo pra ser campeão. É difícil entender o porquê daquela derrota para o Fluminense no Morumbi. Não conseguiu se recuperar no jogo de volta, no Maracanã, quando empatou em 0 a 0.

Só sei que na época a concorrência era muito maior do que em 1990, quando vencemos nosso primeiro Brasileirão.



* Em breve, a terceira e última parte da entrevista.


Segue a terceira e última parte da excelente entrevista concedida pelo estudioso Mauricio Sabará à mundialmente famosa Barbearia Battaglia.

Leia, divirta-se, aprenda e eduque-se para o corinthianismo


34) Sócrates ou Rivellino: quem era melhor jogador?

MS – Como jogador, Rivellino foi mais completo que Sócrates. Mas o Doutor, meu primeiro ídolo no futebol, era muito mais decisivo, executando as proezas que a torcida não viu o Reizinho do Parque realizar. Sócrates teve grandes atuações e marcou gols muito importantes contra os maiores rivais.


35) Depois de 1990, o Timão vira um dos papões do futebol brasileiro. Qual é o segredo dessa mudança de status?

MS - Mudança de mentalidade. Olhar o clube também como estrutura de empresa e não cair naquela coisa de tradição (algo necessário), mas também ser aberto para novas ideias e empreendimentos.

Claro que algumas foram uns tiros no pé, mas é errando que se aprende. Sempre vi com bons olhos quando o Corinthians olha a modernidade.

Agora gostaria de deixar bem claro que o Corinthians sempre foi um papão de títulos conforme já mencionei acima. Existe um time antes e depois de 1960. E existe também um time antes e depois do jejum de títulos paulistas, antes e depois de 1990 e, agora, no Século XXI.

Não existe clube brasileiro que tenha tantos ciclos de glórias junto ao sofrimento que nem o Sport Club Corinthians Paulista, em iguais medidas.

O corinthiano conhece como ninguém o céu e o inferno, sabendo conviver de forma única com a glória e a desgraça, sabendo dar a volta por cima em ambas.

Mesmo sendo um papão de títulos, em sua história sempre teve que provar, pois para os adversários sempre foi mais cômodo citar o que não conquistava do que ganhava. Parece que incomodava mais os rivais do que o próprio torcedor corinthiano.

36) De qual jogador ou jogadores o Maurício realmente não gosta? Por quê?

MS - Na atualidade confesso que gosto da maioria, mas nenhum deles é meu ídolo. Já no passado, confesso não ter gostado das contratações de Serginho Chulapa, Edmundo, Paulo Nunes e Roberto Carlos, pois jogavam tudo contra o Corinthians e alguns haviam dado declarações infelizes a respeito do Timão.

Não posso esquecer do lateral-esquerdo Kléber, pelo o que disse em seus tempos de Santos. Claro que se está jogando em outro clube, pago por ele, tem mais é que tentar jogar bem, especialmente se for contra o maior rival. Mas tenha caráter no que diz e nunca cuspa no prato que comeu.


37) Escale os 11 melhores jogadores corinthianos de todos os tempos (mais um técnico)?

MS - Lembre-se que sou saudosista e estudo a fundo a história do Corinthians. Vamos lá: Ronaldo, Zé Maria, Amilcar, Brandão e Wladimir; Roberto Rivellino, Sócrates e Neco; Cláudio, Luizinho e Baltazar. Técnico: Tite.


38) Olha só, o Tite na coordenação do time principal... Agora, escale 11 reservas (mais um técnico).

MS - Cabeção, Idário, Grané, Del Debbio e Olavo; Roberto Belangero, Danilo e Neto; Marcelinho, Servílio e Teleco. Técnico: Oswaldo Brandão.


39) Dois belos times... Sobre o time campeão de 2015. Começou desacreditado, mas fez ótima campanha. Qual o segredo desse sucesso em sua opinião?

MS - Acreditar no técnico, entender sua política de treinar e dar tempo ao tempo, esperando a poeira baixar. O Corinthians teve cartas na mão para levantar o mesmo time que amargou resultados finais decepcionantes no primeiro semestre com ele.

Sou totalmente contra, dependendo da situação, quando um treinador é demitido por não ganhar títulos. O potencial de Tite é inquestionável e vimos que nas duas vezes em que foi mantido no cargo, os frutos foram colhidos.


40) Falta cultura futebolística para o torcedor atual? Se a resposta for sim, o que fazer para mudar essa situação?

MS - Depende de qual cultura. Se a pergunta for sobre entender a história do seu time, digo que falta até demais. Meu medo maior é que essa falta de conhecimento seja por desinteresse mesmo, algo que eu lamento.

Se houvesse muito mais conhecimento, poderíamos ter respostas na ponta da língua para muitas das bobagens que já lemos e ouvimos dos adversários.

 Sou respeitado por conhecer bem a história corinthiana, mas gostaria que muitos também a conhecessem.

Confesso não saber como mudar tal situação.


41) Você, como estudioso, validaria como "campeonatos brasileiros" os títulos daqueles torneio de 1960 a 1970?

MS - Não sou daqueles torcedores que gostam de negar grandes feitos dos rivais. Valorizo cada conquista de acordo com sua importância no período.

Mas não considero como Campeonatos Brasileiros os títulos conquistados de 1960 a 1970, mesmo admitindo que fossem de suma importância para a época.

Ter reconhecimento nacional é uma coisa, mas ser campeão brasileiro é algo bem diferente.


42) Qual foi o melhor time que o Corinthians já teve? Por quê?

MS – Historicamente, o Corinthians sempre foi conhecido como time de raça, mas não foram poucas as equipes que tiveram jogadores de extrema categoria.

Pra começar, cito o Esquadrão Mosqueteiro tricampeão paulista de 1928/29/30, fabulosa máquina de jogar futebol do goleiro Tuffy ao ponteiro esquerdo De Maria, que além de aplicar estrondosas goleadas, foi o primeiro escrete corinthiano que ganhou muitas partidas de virada.

A equipe campeã paulista de 1941 também foi muito boa, com a formidável linha-média que tinha Jango, Brandão e Dino, além do seu envolvente ataque, formado por Lopes, Servílio, Teleco, Joane e Carlinhos (Mário Milani).

Na difícil década de 60, destaco o time de 1965 a 1967, com feras como Dino Sani, Flávio, o próprio Garrincha e o novato Rivellino.

O time da Democracia Corinthiana também jogava de forma harmônica, especialmente por causa do talento de Sócrates, Zenon, Wladimir e Casagrande.

Jamais poderia ficar de fora o período de 1998 a 2000, a melhor equipe que vi jogar.

Tite também montou ótimos times no período de 2011 a 2013 e especialmente o campeão brasileiro de 2015.

Mas o meu voto vai para o esquadrão dos anos 50, com os fabulosos Cláudio, Luizinho, Cabeção, Gilmar e Roberto Belangero. Cabe lembrar de outros grandes jogadores de diferentes momentos do período dourado, como Murilo, Mário, Rafael Chiarella e Oreco.

E os raçudos também merecem ser lembrados. Cito aqui os imortais Baltazar, Idário, Julião, Homero, Olavo, Carbone, Zague e tantos outros.


43) Qual foi o pior técnico que o Corinthians já teve? Por quê?

MS - O pior técnico que tivemos foi o Júnior, o famoso ex-jogador do Flamengo, que treinou o Corinthians apenas duas vezes. Depois de duas derrotas resolveu sair, em 2003. A praia dele obviamente não era o Parque São Jorge.


44) Em sua opinião, qual o título mais ganho que deixamos escapar?

MS - Historicamente cito o Campeonato Paulista de 1936, do qual vencemos todos os jogos do primeiro turno, mas uma inesperada derrota o Juventus fez com que a equipe sofresse seguidos resultados adversos.

Não venceu o segundo turno e tendo que decidir com o Palestra Itália, em uma melhor de três na qual não se deu bem. Perdeu a chance de ser campeão paulista pela primeira vez no Profissionalismo.

A perda dos títulos paulistas de 1955 (um ponto para o Santos), 1956 e 1957 também foram bobeadas.

Nos dois últimos, por sinal, venceu a cobiçada Taça dos Invictos, um velho sonho.

Nas rodadas finais perdeu a força que deveria ter.

E cito um jogo recente, o da Copa do Brasil de 2008, quando o Sport de Recife foi o campeão. Teria sido muito bom ganharmos o torneio disputando a Série B do Campeonato Brasileiro, o que daria muita moral ao time.


45) Rebaixamento em 2007: quais as causas?

MS - Claro que tudo se iniciou com a nebulosa parceria que fez o presidente Alberto Dualib. O clima de tensão que se instaurou no Parque São Jorge dividiu opiniões e causou muitos desconfortos de várias partes.

Muitas vezes a ilusão criada por um time que joga bem, como o campeão brasileiro de 2005, faz com que nós, torcedores mais passionais, fiquemos cegos ao que de fato ocorre no clube.

Depois, muitos fatos se sucederam. O Dualib, que não podemos negar ter sido um vitorioso, precisou sair pelas portas dos fundos.

Por mais que o Andrés Sanchez tenha se esforçado pra consertar, a situação terrível já estava desenhada, atingindo em cheio o elenco de 2007, resultando no inédito e decepcionante rebaixamento.


46) Por que deu errada a aposta nos super times de 1966 e de 1985?

MS - Nos anos 60, devido ao sucesso de Santos e Palmeiras, claro que o Corinthians jamais queria ficar pra trás. Assim contratou vários jogadores talentosos, mas no momento mais importante não renderam o esperado.

Em 1966, de fato quis montar um forte time, contratando o famosíssimo Mané Garrincha do Botafogo. Da Portuguesa de Desportos vieram Ditão e Nair. Foi quando surgiu o apelido Timão.

O elenco já contava com o cerebral Dino Sani e o já formidável Rivellino. A equipe foi bem no Rio-São Paulo, dividindo o título com mais três times, já que a competição teve que ser interrompida por causa da Copa do Mundo.

Quando começou o Campeonato Paulista, o time perdeu o embalo. O desgastado Garrincha não faz as mesmas boas apresentações do primeiro semestre (jamais espetaculares) e o tabu contra os santistas continuou no Paulistão.

O volante Nair ainda perdeu uma penalidade que nos daria a vitória. Foram os traumas da nada memorável década de 60.

Já em 1985 podemos afirmar que era o fim oficial da Democracia Corinthiana. Por mais que tivéssemos jogadores talentosos, faltava a velha harmonia dos tempos anteriores.

Sim, havia harmonia no período da DC, mesmo que houvesse algumas laranjas podres que gostavam de perturbar.

O técnico (Carlos Alberto Torres) teve uma bela carreira como jogador, mas sua mentalidade não acrescentou muito ao time, além de não ter nenhum passado relacionado ao Corinthians.

A equipe não engrenou com ele, mesmo dispondo de ótimas peças. Havia também muita vaidade de determinados jogadores.

Mario Travaglini retornou para comandar o time no Campeonato Paulista, mas era claro que nem mesmo ele salvaria o ano com tanta coisa que já tinham acontecido.

O próprio Zenon já comentou comigo em algumas entrevistas que se o time poderia se sair bem se fosse mantido para o ano seguinte.


47) Qual árbitro prejudicou mais o Corinthians? Algum jogo ainda lhe causa revolta?

MS - A lista é bem grande. Sei que nos anos 50 tinha um carioca chamado Mário Vianna, que sempre aprontava das suas. Armando Marques, nada querido por clube algum, também cometeu os seus erros, por falhas e intencionalmente.

José de Assis Aragão prejudicou bem o time por não marcar um pênalti claro cometido em Zenon no jogo decisivo do Paulistão de 1984. José Roberto Wright foi outro que demonstrava sempre não estar bem intencionado em relação ao Corinthians. Recentemente cito o atual comentarista Paulo César de Oliveira.

Mas claro que o caso mais descarado ocorreu na Libertadores de 2013, quando fomos eliminados pelo Boca Juniors em razão da arbitragem do Carlos Amarilla.


48) O Corinthians, de fato, despreza seus grandes ídolos? Eles estão certos em reclamar?

MS - Eu não diria que seja desprezo, mas muitos foram tratados de forma desrespeitosa ao sair do clube.

Como primeiro exemplo cito Amilcar Barbuy. Um diretor tomou o bar que pertencia ao seu pai, em frente a antiga sede do clube.

Claro que o jogador, o mais importante do time em seus primeiros treze anos de existência, chateado, preferiu sair.

Pensava em largar o futebol, pois esperou um retorno da diretoria que nunca aconteceu. Após várias insistências, o Palestra conseguiu contratá-lo.

Mas Amilcar sempre conservou o coração corinthiano. Suas ações acabaram sendo mal interpretado pelas gerações futuras que desconhecem o seu corinthianismo. Não sabem que a sacanagem que veio lá de dentro e não dele.

Como pode um ídolo que como o Luizinho receber passe-livre para o Juventus no início de 1961 depois de tudo o que fez?

Retornou em 1964, mas anos depois voltou a ser esquecido. Só foi lembrado novamente por causa de uma entrevista que concedeu ao programa Grandes Momentos do Esporte em 1993.

 Rendeu-lhe algumas homenagens em seus últimos cinco anos de vida, recebendo merecidamente um busto no Parque São Jorge.

Do ex-goleiro Cabeção nem se fala, pois guarda uma mágoa facilmente entendida. Depois de tudo o que fez, foi dispensado sem que lhe dessem satisfação alguma.

Não nos esqueçamos também de muitos ex-jogadores que passaram por constrangimentos quando, ao visitar o clube, eram barrados por seguranças.

Felizmente isso parece ter mudado, pois receberam carteirinhas especiais para poderem entrar no clube sem problema algum.

A memória hoje é bem preservada por causa do Memorial e algumas outras estátuas, como as do velho Neco (inaugurada em 1929 e primeira a ser feita para um jogador no Brasil), Cláudio e de Rivellino, além de Baltazar e Sócrates, que não estavam vivos pra testemunhar tal reconhecimento.

Mesmo com os exemplos que citei, ainda acho que falta certa sensibilidade ao Sport Club Corinthians Paulista no qual tange a seus antigos jogadores.

Seria necessária também atenção a outros talentosos profissionais, que merecem muito mais do que elogios. Eles precisam ter uma chance de trabalhar no clube, não para tirar o lugar de alguém, mas para agregar com suas capacidades.


49) Um campeonato entre os dez dos melhores Corinthians: pela qualidade, elabore o seu ranking, do primeiro, segundo, terceiro... até o oitavo. 1) 1914; 2) 22/23/24; 3) 28/29/30; 4) 37/38/39; 5) 1954; 6) 1977; 7) 82/83; 8) 98/99; 9) 2011/12; 10) 2015.

MS –

 1) 1954;

2) 28/29/30;

3) 98/99;

4) 22/23/24;

5) 82/83;

6) 1914;

7) 2015;

8) 37/38/39;

9) 2011/12;

10) 1977.


50) O que eu não perguntei e deveria ter perguntado para você? Pergunte-se e responda!

MS - Bom, gostaria de mais uma vez quebrar alguns mitos criados para tentar apequenar o Sport Club Corinthians Paulista.

Cito três brincadeiras muito freqüentes antes de 2012: clube sem estádio, Marginal sem número e sem passaporte internacional.

Sempre tivemos estádio: O Corinthians é o primeiro clube da capital paulista que teve um estádio particular, sendo que se tal resposta fosse do conhecimento de todos, já derrubava de uma vez os comentários maldosos.

Com menos de oito anos de vida, inaugurou, em 1918 o Estádio da Ponte Grande. Em 1928 realizava-se a primeira partida na Fazendinha como casa corinthiana, que já teve capacidade para mais de 30 mil pagantes.

Foi sede das partidas de futebol nos Jogos Pan-Americanos de 1963.

Depois o Pacaembu tornou-se diretamente e indiretamente a nossa casa, mas sem ser nosso oficialmente.

Marginal sem número: Piada engraçadinha, mas sem pé e sem cabeça, já que dizem isso quando avistam o clube pela Marginal Tietê, sendo que a entrada dele é do outro lado, pela Rua São Jorge, 777.

Sem passaporte internacional: Eu acharia melhor que a piada fosse “sem Libertadores”. Em 1914, com menos de quatro anos, já fazíamos bonito contra o Torino, impressionando o técnico Vittorio Pozzo, sendo que o Corinthians poderia ter sido o primeiro time brasileiro a jogar na Europa, algo que só não aconteceu por causa da Primeira Guerra Mundial. Excelentes triunfos contra equipes estrangeiras aconteceram no final da década de 20. No ano de 1948, como já mencionei, foi o único time do Brasil que derrotou os dois melhores do mundo. De 1952 a 1954 ficou 32 partidas sem perder para as equipes de fora (25 delas nos próprios domínios das mesmas), um recorde que perdura até hoje. E sem se esquecer de títulos internacionais que aconteceram, alguns deles conquistados de forma sensacional. Mais uma piadinha sem noção!

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